Quimioterapia Vermelha, vamos falar sobre ela?

Quimioterapia Vermelha, vamos falar sobre ela?

[:pb]Quimioterapia vermelha é um termo utilizado por pacientes e por profissionais da área da saúde e é assim qualificada pela sua coloração avermelhada.

Faz referência à drogas da classe das antraciclinas, representada principalmente pela doxorrubicina e pela epirrubicina e são a base do tratamento para muitas neoplasias malignas, como o câncer de  mama, que  de acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer) é o câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, representando 28% dos novos casos a cada ano.

As Antraciclinas são utilizadas, ainda, nos tratamentos de câncer de estômago, bexiga, ovário, sarcomas, carcinoma tímico, leucemias e linfomas. A quimioterapia pode ser dividida em “quimioterapia vermelha” e a “quimioterapia branca”, cuja diferenciação se dá, basicamente, pelo tipo de medicamento que é utilizado na diluição.

As drogas que possuem a coloração marcada como vermelha, como a doxorrubicina e a epirrubicina, ganham o nome de “quimioterapia vermelha”, as demais, que na grande maioria das vezes não possuem uma cor predominante, pois quando diluídas são incolores, são conhecidas como “quimioterapia branca”.

A quimioterapia vermelha exerce um fator psicológico forte junto aos pacientes, que quando recebem a lista completa dos efeitos colaterais do tratamento, costumam sentir medo e desânimo. Esses sentimentos devem ser compreendidos pela equipe de saúde que assiste ao paciente com amor e cuidado. São receios reais de uma pessoa fragilizada pela doença e pelo processo de cura. Isso acontece porque as drogas atacam, ao mesmo tempo, células adoecidas e células saudáveis, levando a alguns efeitos colaterais indesejados. Os mais frequentemente relatados durante o tratamento são: náuseas, vômitos, mielossupressão (diminuição das células sanguíneas na medula óssea), alopecia (perda do cabelo), mucosite (feridas na boca), fadiga, dores musculares, diarreia ou constipação. Faz parte do processo de cura e é muito importante para a qualidade de vida do paciente, a avaliação individualizada por parte da equipe de saúde que faz o atendimento do paciente.

Cada pessoa poderá vir a sentir os efeitos colaterais em uma intensidade diferente ou até mesmo não senti-los. O sucesso no tratamento está, então, muito ligado à comunicação entre o paciente e sua equipe assistente. Eis uma ferramenta poderosa para amenizar o temor relativo ao tratamento. A importância dessa sintonia está relacionada, entre tantos aspectos, aos relatos de sintomas da doença, efeitos do tratamento, para que a equipe possa minimizar esses casos, caso ocorram, evitando-se dessa forma, um mal-estar desnecessário ao paciente.

Felizmente, hoje existem muitas alternativas viáveis para minimizarmos os efeitos colaterais relacionados à quimioterapia, seja ela “vermelha” ou “branca”, garantindo o máximo conforto possível ao paciente.Outro ponto importante a ser lembrado é que, por terem um Ph baixo, as antraciclinas têm perfil ácido e bastante agressivo às veias periféricas pouco calibrosas, como, as veias da dobra do braço e dorso da mão.

Todo o esforço deve ser empreendido para que as drogas não extravasem o vaso, devido as lesões que podem ser causadas a partir do extravasamento. Na tentativa de tornar o tratamento menos agressivo, uma estratégia amplamente empregada atualmente,  trata da implantação de um cateter Port-A-Cath (totalmente implantado), que reduz a índices muito baixos os riscos de algum incidente relacionado a infusão e extravasamento, trazendo maior segurança e conforto ao paciente.

A tecnologia de produção de medicamentos tem oferecido uma ampla gama de drogas que possuem perfis diferentes e papéis diferentes dentro do tratamento, assim, nem sempre a tão temida quimioterapia vermelha representará para o paciente um desconforto maior do que uma droga incolor (branca) poderia causar.

A melhor forma de compreender isso é conversando com seu médico, com a equipe de enfermagem, ou com o farmacêutico da equipe que lhe atende. Aqui na Oncocentro contamos com uma equipe especializada, multiprofissional e empenhada em assistir de forma integral a todos pacientes e seus familiares, a fim de garantir todo o suporte necessário para que as dúvidas sobre o tratamento não se tornem um obstáculo para o paciente.

Lucas S. de Baco
CRF-RS 17351
Farmacêutico Responsável Técnico da ONCOCENTRO[:]

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