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Destaques ASCO GI 2019

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Destaques ASCO GI 2019

No texto de hoje, vamos compartilhar alguns destaques apresentados no Simpósio de Câncer Gastrointestinal (ASCO GI 2019), realizado entres os dias 17 e 19 de janeiro em San Francisco, Califórnia, EUA.  


Diversos estudos com abordagens no tratamento e manejo de cânceres de fígado, esôfago, colorretal e colo foram apresentados na sessão, e o Manual de Oncologia Clínica Brasil- MOC, que esteve presente no congresso fazendo a cobertura, destacou alguns estudos apresentados.

O Dr. Ricardo Carvalho, oncologista clínico da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo comentou quatro estudos que foram destaques entre as novidades apresentadas sobre câncer gastrointestinal.

 


 

O primeiro deles foi o KEYNOTE 181, de fase III, randomizado e multicêntrico. Esse estudo avaliou o Pembrolizumabe na segunda linha do câncer de esôfago com PDL-1 CPS, nos pacientes com adenocarcinoma ou carcinoma escamoso de esôfago, e adenocarcinoma da transição esôfago- gástrica Siewert tipo 1.  

Esse estudo possui três endpoint primários, todos avaliando sobre a vida global:

  • PD-L1 CPS
  • ESCAMOSO
  • ITT.  

Obteve resultado positivo no primeiro endpoint (PD-L1 CPS) e negativo nos outros dois (ESCAMOSO e ITT).

Como resposta do estudo o Pembrolizumabe é o novo estudo padrão no tratamento de segunda linha do câncer de esôfago / TEG SIEWRT tipo 1, PD-L1 CPS> IGUAL 10, independentemente da histologia.

 


O segundo destaque é o MEGA TRIAL, estudo de fase II, braço único, randomizado em 37 pacientes com carcinoma esôfago- gástrico metastático HER2 positivo e, avaliou a combinação de pembrolizumabe + trastuzumabe + quimioterapia na primeira linha do carcinoma esôfago gástrico metastático:

 

  • O endpoint primário foi sobrevida livre de progressão (SLP) em seis meses.
  • O endpoint secundário: sobrevida global (SG) e taxa de resposta pelo RECIST 1.1

 

Como resultado, esse estudo demonstrou poucos eventos e uma elevada taxa de resposta global (87%).  Com base nessa pesquisa já existe o KEYNOTE – 811: estudo de fase III, ainda aberto e recrutando pacientes.

Outro destaque foi o estudo japonês J-SAP05, de fase II/III que avaliou o papel da quimioterapia neoadjuvante no câncer de pâncreas ressecável, demonstrando ganho significativo em sobrevida global (28% de redução no risco de morte). Adenocarcinoma de pâncreas localizado, sem doença metastática ressecável, sem envolvimento arterial. A mediana era de 100, ou seja, pacientes que alto risco, e o endpointe primário foi sobrevida global (SG).

 

O estudo mostra que os pacientes eram randomizados para:

  • Cirurgia seguida de quimioterapia adjuvante com S1, ou começar com a quimioterapia neoadjuvante (GEMZAR + S1) depois fazer a cirurgia e por fim fazer a mesma quimioterapia adjuvante com S1.

 

Como resultados esse estudo mostrou que os pacientes que fizeram a quimioterapia neoadjuvante tiveram uma menor taxa de positividade N1 e, menor taxa de desenvolvimento de metástase hepática.  Dessa forma, o estudo conclui que apesar do pâncreas ser ressecável anatomicamente, por ser uma doença, muitas vezes, metastática biologicamente, talvez o uso da quimioterapia neoadjuvante tenha algum papel. O uso de quimioterapia neoadjuvante em câncer de pâncreas ressecável resultou em ganho significativo na sobrevida global, e 28 % de redução no risco de morte.

 


E para finalizar, destaque para o COLOPEC, estudo que avaliou o papel da HIPE adjuvante no adenocarcinoma colorretal de risco alto e demonstrou resultado negativo.

Os pacientes foram randomizados para:

  • Cirurgia do tumor primária seguida de quimioterapia adjuvante com oxaliplatina, ou cirurgia do tumor primário, seguida do HIPEC adjuvante com oxaliplatina.

 

Basicamente o estudo avaliou o papel da HIPER adjuvante nos pacientes de alto risco e, como o resultado o estudo foi negativo, o uso de HIPEC adjuvante não trouxe benefícios na redução do risco de sobrevida livre de metástase peritoneal aos 18 meses e, portanto a HIPEC nesses pacientes não deve ser indicada.

O uso de HIPEC adjuvante no câncer colorretal não resultou em benefícios em sobrevida livre de metástases peritoneal aos 18 meses, portanto, seu uso não deve ser indicado para esses pacientes.

 

 

Fonte: Manual de Oncologia Clínica do Brasil - MOC

 

 

Esperamos que estas orientações tenham ajudado você a entender melhor esse assunto tão importante na vida do paciente oncológico.

Os textos publicados em nosso Blog têm caráter informativo e suas informações não substituem a consulta com especialistas. 

Para mais informações sobre o tema, entre em contato com um médico e tire suas dúvidas.

 

 

 

 

 

 

Dr. Carlos Felin – CRM 9751
Médico Oncologista – Diretor Técnico da Oncocentro